TAQUIGRAFIA

TAQUIGRAFIA

CONCEITO

O Homem, desde sua origem, tem feito uso da linguagem para comunicar-se. Como decorrência do processo de evolução humana, desenvolveu-se também a escrita, que passou a ser utilizada para registrar ideias, fatos e a história da humanidade.

Assim, há várias formas de linguagens escritas, dentre as quais se encontra a taquigrafia, que foi inventada para que o homem fosse capaz de escrever com a mesma celeridade com que fala.

Deste modo, a taquigrafia pode ser conceituada como uma arte de escrita rápida, também conhecida como estenografia, sendo sua utilização comum entre jornalistas, secretárias e profissionais que atuam no registro de transcrições oficiais. Nota-se, aqui, que taquigrafia (do grego tachys = rápido e grafia = escrita) é um termo geral que define todo método abreviado ou simbólico de escrita, com o objetivo de melhorar a velocidade da escrita ou a brevidade, em comparação a um método padrão de escrita.

“A arte de escrever tão rápido como se fala é o mais alto triunfo da escrita” (Karl Faulmann).

A técnica é extremamente fonética, ou seja, taquigrafa-se o que se ouve e não a escrita da palavra. Por exemplo: a palavra “oxigênio” é pronunciada como “oquicigênio”, que é o que será taquigrafado.

Assim, a taquigrafia mostra-se um processo importante para a realização de transcrições de fatos ocorridos num determinado contexto social, contribuindo para o registro fiel de discursos verbais, incluindo-se nessa transcrição todos os detalhes necessários para lidar com as informações registradas.

HISTÓRIA DA TAQUIGRAFIA NO MUNDO

Embora a origem da taquigrafia seja controversa, há registros que na Antiga Roma, onde por volta de 63 A.C., um escravo liberto chamado “Tiron” criou as notas tironeanas e, com ela, taquigrafava as falas do Senado Romano, principalmente as falas do Cônsul, Estadista, Senador e Grande Orador Cícero contra o do Senador Catilina, as famosas “Catilinárias”.

Após o declínio do Império Romano, as notas tironianas já não eram usadas para transcrever discursos. Após o século XI, no entanto, eles foram praticamente esquecidas.

No século XVI, temos o renascimento da arte taquigráfica na Inglaterra, considerada a pátria da taquigrafia moderna. A instituição dos parlamentos e das cortes de justiça, as discussões políticas, religiosas, literárias e filosóficas fizeram sentir a necessidade de um instrumento gráfico para recolher e deixar registrada para sempre a expressão oral efervescente da vida da nova sociedade. Vários sistemas de taquigrafia começam, então, a ser idealizados e publicados com diferentes nomes.

  • Gabelsberger – Alemanha
  • Gregg – EUA
  • Pitman – Inglaterra
  • Maron / Leite Alves / Nelson de Oliveira – Brasil

Ainda hoje chamam a taquigrafia de “estenografia”, que são palavras sinônimas, ou seja, hoje se taquigrafa ou estenografa, é a mesma coisa.  A técnica, via de regra, utiliza apenas papel (blocos, cadernos ou folhas soltas) e lápis ou caneta, mas, atualmente, no desempenho das funções de taquígrafo, já há quem se utilize de tablet e caneta touch.

Apesar de todo o avanço da tecnologia e sistemas de gravação, a taquigrafia continua sendo bastante utilizada em todo o mundo. A grande maioria dos parlamentos e tribunais continua a se valer de um corpo de taquígrafos com o fito de garantir a transparência nos procedimentos legislativos e judiciários. Vale salientar que os sistemas de gravação auxiliam muitíssimo o trabalho do taquígrafo, mas não o substitui.

A tecnologia facilita o trabalho manual de digitação no registro e o fluxo das etapas subsequentes, como revisão, redação final e divulgação das notas taquigráficas pelos mais variados meios de comunicação: os diários oficiais, portais institucionais e redes sociais. Ou seja, o principal objetivo dos sistemas tecnológicos é a veiculação do discurso parlamentar ou do registro judiciário, o que não retira o trabalho taquigráfico de apanhamento, revisão gramatical, adequação às normas técnicas e fidedignidade ao discurso do orador. 

Na Inglaterra, jornalistas ingleses acham a taquigrafia essencial, e os programas para a graduação de jornalistas ingleses preveem para os diplomados em Jornalismo uma velocidade taquigráfica de 100 palavras por minuto.

Num site sobre a Taquigrafia na China, encontramos o seguinte trecho bastante informativo sobre a evolução da taquigrafia naquele país, escrito pelo Diretor e Professor Adjunto do Departamento de Estenografia, da Sociedade de Processamento da Informação:

“A taquigrafia manual vem sendo aperfeiçoada e difundida em cada vez mais campos da sociedade, através dos esforços de numerosos especialistas, professores e profissionais. Mais e mais jovens estão aprendendo taquigrafia nas Universidades da China, graças a uma política governamental. Taquigrafia computadorizada (estenotipia) e taquigrafia manual são oferecidas como cursos opcionais no Departamento de Secretariado do Instituto Feminino Chinês. Olhando para o futuro, nós estamos bem otimistas e prevendo um “boom”, um crescimento da estenografia na China, após a oferta dos Jogos Olímpicos em 2008 e a entrada da China, em breve, na Organização Mundial do Comércio.”

No Japão, a taquigrafia é usada no Senado, na Câmara Federal, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras Municipais, nos Tribunais, nas reuniões do Conselho do Governo, na Indústria de Publicação (nas discussões e mesas-redondas). O Senado japonês conta com 150 taquígrafos manuais e mantém o seu próprio curso de taquigrafia. A Câmara dos Deputados tem um corpo de 160 taquígrafos manuais e tem seu próprio curso de formação de taquígrafos.

A taquigrafia é ainda usada, além de outros, nos seguintes parlamentos:

–         Parlamento da Coreia
–         Parlamento da Rússia
–         Parlamento da Itália
–         Parlamento da Argentina
–         Parlamento da Espanha
–         Parlamento do Canadá
–         Parlamento da Alemanha
–         Parlamento da Austrália
–         Parlamento de Botswana
–         Parlamento da República dos Camarões
–         Parlamento da Bulgária
–         Parlamento da Polônia
–         Parlamento da România
–         Parlamento do Uruguai
–         Parlamento de Cingapura
–         Parlamento de Bangladesh
–         Parlamento da Nova Zelândia
–         Parlamento de Trinidad-Tobago
–         Parlamento dos Estados Unidos
–         Parlamento da Suécia
–         Parlamento da Tchecoslováquia
–         Parlamento do México
–         Parlamento da Noruega
–         Parlamento da Finlândia
–         Parlamento de Äland
–         Parlamento da França
–         Parlamento do Chile
–         Parlamento da Turquia
–         Parlamento da Índia
–         Parlamento da Bélgica
–         Parlamento da Áustria
–         Parlamento da Croácia
–         Parlamento da Grécia
–         Parlamento da Suíça
–         Parlamento da Hungria
–         Parlamento da Eslováquia
–         Parlamento da Venezuela
–         Parlamento da Dinamarca

HISTÓRIA DA TAQUIGRAFIA NO BRASIL

Comemora-se no dia 3 de maio o Dia Nacional do Taquígrafo. Essa data foi escolhida pela classe, reunida no 1° Congresso Brasileiro de Taquigrafia, realizado em 1951, em São Paulo, e promovido pelo Centro dos Taquígrafos de São Paulo, para comemorar o Dia do Taquígrafo.

A data foi escolhida, porque foi exatamente no dia 3 de maio de 1823 que foi instituída oficialmente a taquigrafia parlamentar no Brasil, para funcionar na primeira Assembleia Constituinte.

A introdução da taquigrafia no parlamento brasileiro deve-se a José Bonifácio de Andrada e Silva. Homem de ciência, estadista, escritor, orador parlamentar, poeta, e considerado o mais culto dos brasileiros do seu tempo. José Bonifácio de Andrada e Silva, o “Patriarca da Independência”, ao ver a grande utilidade da taquigrafia nos parlamentos de outros países, lutou pela implantação de um corpo de taquígrafos no Parlamento brasileiro. Assim se expressou José Bonifácio, na sessão da Constituinte, de 22 de maio:

“Eu quero somente fazer uma explicação para ilustrar a matéria. Logo que se convocou esta Assembléia viu Sua Majestade a necessidade de haver taquígrafos; eu fui encarregado de dar as precisas providências.

Um oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros se incumbiu de abrir uma aula de taquigrafia; e alunos matriculados trabalharam nessa aula. Para que fossem mais assíduos, Sua Majestade lhes mandou dar uma diária de duas patacas, obrigando-se eles a aprender esta arte de que deviam fazer uso em serviço da mesma Assembleia. Eis aqui o que tenho que dizer para que sirva de regulamento na deliberação.”

O oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros, a que se refere José Bonifácio, é Isidoro da Costa e Oliveira Júnior. Incumbido por Sua Majestade de preparar os primeiros taquígrafos parlamentares brasileiros, criou um Curso de Taquigrafia, e ensinou o método Taylor, criado por Samuel Taylor, inglês conhecido como o pai da taquigrafia moderna.

MÉTODOS TAQUIGRÁFICOS

Há inúmeros métodos taquigráficos no Brasil, a exemplo de: Leite Alves, Maron, Martí, Taylor, Duprat, Pittman, Paulo Gonçalves , Nelson de Souza Oliveira, Galestra, Frei Adauto de Palmas, Fernando Moreira, Arlindo Lima, Estenital, Gregg, Leite Ribeiro, Estenobrás, Davi Gautério, Frederico Burgos, Gonçalo Alves, Estenital Scolástico, Albernaburgos, Eclético do Prof. Burgos, Duployé, Soundscript, Estenotipia.

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